A impactante imaxe de Paula Rego para a contraportada da Obra reunida de Adília Lopes.
Se fores boa menina
dou-te um periquito azul
eu fui boa menina
e sem querer abri a porta da gaiola
se tivesses sido boa menina
o periquito azul não tinha fugido
mas eu fui boa menina
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29 de xaneiro de 2016
Adília Lopes e Paula Rego
Etiquetas:
Adília Lopes,
Paula Rego,
poesía
A Arte Poética de Adília Lopes
Arte Poética
Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as mãos
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim.
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de não chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que não sei dizer
Recollido na Obra (2000)
Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as mãos
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim.
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de não chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que não sei dizer
Recollido na Obra (2000)
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